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Teatro Anatómico

Escrito a partir do tema Monstros, desenvolve-se a noção de monstruosidade através das noções de desregra e desumanização da figura humana, exemplificadas pelas perspectivas de Maeterlinck, Artaud, Kantor, Picon-Vallin em função do desenvolvimento da ideia de sensibilidade. Publicado na revista Textos e Pretextos nº 8


«Os monstros parecem ser corpos onde o interior foi virado do avesso, e ficou à vista. Esta organicidade extrema desperta uma sensibilidade fina e intensa a quem vê. A visão torna-se veículo de sensibilidade. Este é o maior contributo da modalidade monstruosa: quando o duplo é um monstro, esse excesso de presença, essa orgânica extremada, desorganizada e exposta, cria sensibilidade e sensibiliza tudo ao redor.Augúrios de um teatro artificial, os monstros protagonizam um teatro anatómico, um ponto de vista sobre o interior do corpo, sobre as partes desirmanadas e a encenação da sensibilidade.»


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O actor em Artaud

Escrito no contexto do seminário de Ciências do Espectáculo, na F.L.U.L., o texto apresenta uma leitura da perspectiva de Artaud sobre o trabalho do actor desenvolvendo o lugar da emoção, não como memória, mas como contínuo físico e intelectual.

«Mais do que a sua prática, o pensamento de Artaud, ou a sua percepção subtil do acontecimento teatral, apontam outras direcções, programas e metodologias da representação. A sua própria linguagem verbal indicia essa transformação, dificultando a interpretação no mesmo meio verbal. A linguagem esotérica e poética move-se nas proximidades de planos extra-linguísticos. Como a actuação, na sua dinâmica simuladora e dupla.»



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um outro o mesmo

Escrito para integrar uma publicação comemorativa do Teatro O Bando, introduz três noções desenvolvidas por João Brites sobre a interpretação do actor: Presença, Planos de Expressão e Personagem Intermédia.


«A condição fundamental para o aparecimento das personagens é o menor devir, a mais subtil abertura, o mais insensível deslize para um outro. Daí que, para questionar os processos de criação de personagens, parece ser necessário recuar a esse ponto, e daí desenvolver novas condições de ser outro. A personagem é, então, uma construção ficcional, comportamental ou afectiva a partir de um desvio primordial do modo de ser espontâneo do actor em direcção a um modo de ser outro.»




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