Escrito a partir do tema Monstros, desenvolve-se a noção de monstruosidade através das noções de desregra e desumanização da figura humana, exemplificadas pelas perspectivas de Maeterlinck, Artaud, Kantor, Picon-Vallin em função do desenvolvimento da ideia de sensibilidade. Publicado na revista Textos e Pretextos nº 8
«Os monstros parecem ser corpos onde o interior foi virado do avesso, e ficou à vista. Esta organicidade extrema desperta uma sensibilidade fina e intensa a quem vê. A visão torna-se veículo de sensibilidade. Este é o maior contributo da modalidade monstruosa: quando o duplo é um monstro, esse excesso de presença, essa orgânica extremada, desorganizada e exposta, cria sensibilidade e sensibiliza tudo ao redor.Augúrios de um teatro artificial, os monstros protagonizam um teatro anatómico, um ponto de vista sobre o interior do corpo, sobre as partes desirmanadas e a encenação da sensibilidade.»
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Teatro Anatómico
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You can't peep the window without impunity
Escrito no contexto do Seminário de Estética Teatral, com José Pedro Serra. Comentário a As Bacantes, de Eurípides, desenvolvendo o olhar como momento trágico em associação às personagens de Édipo e Cassandra.
«A acção de quem vê é a da testemunha, a que vê de fora. Mas ver é participar, a testemunha torna-se parte do crime como lugar da sua manifestação. É na testemunha que o crime é compreendido como crime. Assim, de certo modo, a visão exterior da testemunha cria um duplo no interior do acontecimento, uma visão interior, que se vê a si própria como testemunha e participante do crime. «Ver é ser visto»: há coisas que só de serem vistas nos implicam nelas.»
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