Escrito no contexto do Seminário de Documentação, com Maria Helena Serôdio. Apresentação do mais conhecido manifesto de Tadeusz Kantor, escrito em paralelo à criação do espectáculo A classe morta, e que marca um momento de consolidação da sua linguagem estética.
«Kantor não pretende substituir o actor pelo manequim, o corpo orgânico pelo corpo artificial, mas reconhece que o corpo artificial pode constituir um duplo do corpo orgânico, criando níveis de consciência. Enquanto objecto trivial, sem significação, o manequim torna-se um modelo para o actor vivo.
Assim, o que vemos em O teatro da morte é o desenvolvimento de um conceito artístico: a morte, sendo o passado e a memória, o conhecimento e a consciência, a individualidade como possibilidade solitária. A morte não é uma forma, como Craig a entendia no sentido do artificial, mas um modo de compreensão do acto artístico.»
leia aqui o MANIFESTO do Teatro da Morte, de Tadeusz Kantor
veja aqui o blog do espectáculo CHEZ KANTOR, encenação de Pedro Manuel com o NNT
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O actor em Artaud
Escrito no contexto do seminário de Ciências do Espectáculo, na F.L.U.L., o texto apresenta uma leitura da perspectiva de Artaud sobre o trabalho do actor desenvolvendo o lugar da emoção, não como memória, mas como contínuo físico e intelectual.
«Mais do que a sua prática, o pensamento de Artaud, ou a sua percepção subtil do acontecimento teatral, apontam outras direcções, programas e metodologias da representação. A sua própria linguagem verbal indicia essa transformação, dificultando a interpretação no mesmo meio verbal. A linguagem esotérica e poética move-se nas proximidades de planos extra-linguísticos. Como a actuação, na sua dinâmica simuladora e dupla.»
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um outro o mesmo
Escrito para integrar uma publicação comemorativa do Teatro O Bando, introduz três noções desenvolvidas por João Brites sobre a interpretação do actor: Presença, Planos de Expressão e Personagem Intermédia.
«A condição fundamental para o aparecimento das personagens é o menor devir, a mais subtil abertura, o mais insensível deslize para um outro. Daí que, para questionar os processos de criação de personagens, parece ser necessário recuar a esse ponto, e daí desenvolver novas condições de ser outro. A personagem é, então, uma construção ficcional, comportamental ou afectiva a partir de um desvio primordial do modo de ser espontâneo do actor em direcção a um modo de ser outro.»
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«A condição fundamental para o aparecimento das personagens é o menor devir, a mais subtil abertura, o mais insensível deslize para um outro. Daí que, para questionar os processos de criação de personagens, parece ser necessário recuar a esse ponto, e daí desenvolver novas condições de ser outro. A personagem é, então, uma construção ficcional, comportamental ou afectiva a partir de um desvio primordial do modo de ser espontâneo do actor em direcção a um modo de ser outro.»
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